A Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina confirmou na tarde dessa sexta-feira (28) o primeiro caso de morte por Gripe A (Influenza H1N1) no município. A informação foi repassada para a Vigilância Epidemiológica que ainda aguarda o resultado de 156 exames encaminhados, sendo quatro de pessoas que vieram a óbito. O paciente que não resistiu a doença tinha 39 anos e apresentou os primeiros sintomas no dia 18 de agosto, sendo internado no dia 19 e veio a falecer no dia 21. “A situação da Gripe A em Caçador está muito mais tranquila do que já esteve, mas nem por isso devemos cruzar os braços e deixarmos de agir. Diariamente recebemos notificações dos hospitais, Centro de Triagem e consultórios particulares sobre os casos suspeitos e é nossa obrigação tratar essas suspeitas como se fossem casos reais”, conta Paula Brustolin Xavier, enfermeira e coordenadora da Vigilância Epidemiológica de Caçador.
Diuturnamente as equipes da Epidemiologia trabalham na assistência a pacientes com sintomas de gripe, seja ela a H1N1 ou a Influenza comum. “Sempre há um telefone disponível e uma equipe trabalhando durante as 24 horas do dia. Toda vez que somos solicitados estamos prontos para atender, orientar e prestar assistência. Quando alguém apresenta os sintomas e é atendido pelo médico, esse nos solicita a coleta de exames e todo o procedimento é realizado de forma correta e de acordo com as normas do Ministério da Saúde. Essa semana foi publicada uma norma instruindo as vigilâncias a somente realizar a coleta em pacientes internados ou gestantes e, infelizmente, temos que cumprir com essa determinação”, diz Paula.
A Vigilância Epidemiológica também é responsável pelo acompanhamento e monitoramento dos casos suspeitos da doença. “A partir do momento que diagnosticamos um suspeito, além da pessoa ser medicada com Tamiflu, ela é, frequentemente, acionada pela equipe epidemiológica. São sete dias de monitoramente, onde ligamos para o paciente para saber do progresso da doença ou cura e, após esse período, ele é reavaliado pela equipe médica. O problema que muitas pessoas que estão em tratamento não são encontradas em suas residências, ou quando são, afirmam que estão bem e de que não precisam mais ser importunadas por nós”, desabafa a coordenadora.
Outro agravante é a demora dos resultados dos exames encaminhados por Caçador. “A demanda de exames está muito alta e a Fiocruz teve que paralisar as atividades do seu laboratório de análises devido a falta de matéria prima para a análise dos exames”.
Segundo Paula, nenhuma informação está sendo retida pela Vigilância Epidemiológica. “O repasse de informações é nossa obrigação, porém há uma hierarquia a ser respeitada. Nós recebemos a notificação de uma unidade de saúde, hospital ou consultório particular, deslocamos uma equipe até o local onde está o paciente suspeito e iniciamos a investigação. Essas informações são encaminhadas a Gerência Regional de Saúde em Videira, que repassa os dados ao Estado. Procuramos respeitar as hierarquias porque não é possível divulgar localmente essas informações sem o aval da Regional ou do Estado. Se isso ocorrer, punições poderão acontecer. Existe uma postura ética e princípios a serem respeitados e não é possível citar nomes de pacientes, endereços, muito menos divulgar dados que não foram confirmados”, enfatiza.
Mais uma vez o pânico é desnecessário em Caçador, principalmente a geração de conflitos e a criação de boatos. “A gripe veio para nos assustar e quem sabe muitos de nós não pensamos que essa doença fosse assim tão violenta e legal. Porém há muita preocupação em cima da Gripe A, enquanto em nossa cidade pessoas estão morrendo devido ao uso de crack, no trânsito, ou por doenças como tuberculose. Existem muitos fatores que devemos nos preocupar, muitas atitudes que devemos tomar para nos prevenir e esquecemos que o papel mais sério a ser realizado é o nosso, de cuidarmos de nossa saúde, de nosso corpo e daqueles que amamos”, finaliza.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
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