Após intenso trabalho de conscientização e muita polêmica em torno das medidas adotadas pela Prefeitura Municipal, a população caçadorense finalmente entendeu que para evitar o contágio da Gripe A (Influenza H1N1) é preciso prevenção. Em dez dias de funcionamento, 1.322 pessoas procuraram o Centro de Triagem para receber atendimento e 21 casos suspeitos foram diagnosticados.
“Realmente o número de pessoas que buscaram assistência no Centro é um pouco alto, porém os casos suspeitos nos deixaram um pouco mais tranqüilos. Se tivéssemos resolvido agir apenas agora, teria sido tarde e Caçador poderia ter muito mais casos suspeitos. A suspensão do decreto referente a aglomerações públicas também se deu aos números apresentados, mas se houver necessidade de voltarmos atrás e determinarmos o cancelamento de reuniões, encontros e qualquer outro tipo de aglomeração pública, vamos fazer”, enfatiza o prefeito Saulo Sperotto.
Além da equipe de médicos e enfermeiros da Secretaria Municipal da Saúde, outro grupo de profissionais saiu do “anonimato” comprovando sua eficiência e responsabilidade ao agir em um alerta de pandemia mundial. A Vigilância Epidemiológica virou referência para imprensa e comunidade em geral na apresentação de dados reais sobre a situação local, como também na atuação rápida no monitoramento e acompanhamento dos casos suspeitos.
“O setor é conhecido como Vigilância em Saúde e se divide em ambiental, epidemiológica e sanitária. Ele é o coração da Saúde Pública, é onde o trabalho de geração de informações e notificações compulsórias acontece. Secretarias municipais e estaduais da saúde, como também o Ministério da Saúde, possuem uma lista de doenças que devem ser monitoradas. Se algum caso aparecer em uma cidade ou região é preciso comunicar a unidade sanitária que irá agir na não propagação dessa doença”, explica Paula Brustolin Xavier, coordenadora da Vigilância Epidemiológica de Caçador.
Medidas de controle são utilizadas, algo similar ao que está sendo feito com a Gripe A. “Nesse caso adotamos um protocolo criado pelo Ministério da Saúde justamente por se tratar de uma pandemia. Porém o trabalho da Vigilância Epidemiológica não acontece apenas em situações graves como da Influenza H1N1. Nós trabalhamos com os programas de meningite, tuberculose, dengue, hepatites, DST, AIDS, varicela, mordidas de cachorro e picadas de bichos peçonhentos, entre outros. É uma gama de agravos e doenças que são trabalhados e isso deve ser monitorado 24 horas por dia”, argumenta.
Todas as declarações de nascidos vivos e óbitos são enviadas ao setor onde é feito um trabalho de digitação dessa declaração e os dados são encaminhados a Secretaria de Estado da Saúde que envia ao Ministério da Saúde. Através dele o Município recebe recursos para atuar na prevenção à doenças e na assistência em saúde.
A Vigilância Epidemiológica é a central de recebimento, distribuição e controle de vacinas. “Daqui as vacinas são direcionadas as unidades básicas de saúde, mantendo a qualidade desses imunobiológicos. O nosso trabalho acontece através das informações que chegam oriundas de notificações de laboratórios, das farmácias, clínicas, consultórios, postos, hospitais e a própria comunidade que também nos informa. É importante frisarmos que os fatores de risco para contágio de doenças nunca param. Convivemos diariamente com eles e por isso é imprescindível a prevenção. Quando realizamos as campanhas para vacinação de crianças e de idosos é preciso que as pessoas compareçam e recebam a sua dose da vacina. Isso é realizado para que essas pessoas mantenham-se saudáveis. É preciso levar mais a sério a nossa responsabilidade com o nosso corpo, com o nosso bem estar, mantendo as vacinas em dia e buscando orientação sempre que surgir alguma dúvida ou suspeita de doença”, finaliza Xavier.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
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